Mamá

Fiz um café, lembrei de você. Tá cheirando lá na cozinha.
Fico lembrando do tempo em que vc me pedia para passar o café.
- Como se fosse muito difícil colocar três colheres de pó na máquina e acertar a quantidade da água.
Mas você dizia que ninguém fazia café como eu e aí sentávamos de costas para o computador, como se trabalho pudesse esperar, e fofocávamos sobre a minha vida. Eu sempre com tanta coisa na cabeça. E você sempre aflita.
Eu voltava pra casa sozinha e pensava, era bom tê-la por perto quando chegasse em casa. Mas você estaria por perto sempre, se eu precisasse. Mas o
que eu queria mesmo era você por perto quando eu não precisasse. Adorava você por perto de bobeira. Principalmente para falar besteira. Como se fosse pouco o trabalho que eu dava ao trabalhar ao seu lado.
Aí a vida foi ficando mais complicada e cada vez mais fácil - e a decisão já devia está ali, tomada (mas eu não sabia). Até que um dia, pronto, assim de repente, com as lágrimas nos olhos eu disse: comprei a passagem (a esperança pedia que fosse apenas um destino diferente, com uma vida diferente). Você me abraçou e disse que tudo daria certo. Foi o melhor abraço da minha vida. Precisei daquele abraço mais pela fé na vida, que já ia se desfazendo, que pela certeza da ida. Afinal, a passagem tava comprada.
E tudo isso com cheiro do café que vinha da mesa ao lado da minha. Ainda lembro de você quando sinto o cheiro do café pela casa, enquanto penso na nova decoração da minha vida e tenho certeza que o pra sempre é só mesmo momento que fica dentro da gente. E que se sente sempre, que se lembra sempre.


5 comentários:

Marisa disse...

Coisa mais linda! Amo vc! beijos

Cacau disse...

Nossa mãe... me emocionei!!!!!
Será que alguém lembra de mim assim, com tanta ternura???
Um beijo, Fadinha Sprite!!

André Debevc disse...

A memória olfativa é uma das mais fortes, e sem noção de tempo que temos. Ainda bem. Beijo. Feio

Moraes disse...

Lindo lindo! beijos

Mary misfits disse...

lindo!!!

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